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terça-feira, 13 de maio de 2014

Vale Navio


Tempo de páscoa, altura de rumar até ao algarve para retemperar o espírito e ganhar ânimo até chegar mais um verão. Como sempre, e esperando mau tempo, fiz o levantamento dos spots que me poderiam interessar recorrendo ao Maps e a uns urbexers da região (aos quais aproveito para agradecer). Depois surgiram os problemas, 1º deixei a máquina em Coimbra e 2º esteve sempre um tempo bruuuutal! Ou seja, só explorei um sítio e foi este mesmo, o famoso Vale Navio. Localizado na Quinta da Balaia entre Albufeira e as famosas praias da zona é fácil de localizar, não só pela sua imensidão mas também pela placa que não engana. Aproveitei pra lá passar num final de tarde em que, na praia, o sol já me mordia a pele. Usei a minha habitual câmara de backup e até nem correu mal. De iPhone em punho e de calçãozinho de praia, vi o mais que pude no curto espaço de tempo que dispunha. Este aldeamento turístico do famoso conceito oitentão de Time-Sharing é ainda maior do que eu pensava, são 300 apartamentos e 95 moradias mais as áreas de lazer comuns (restaurantes, lago, piscinas, etc) distribuídos por 33 hectares com vista para o oceano. O projeto arquitetónico original era fantástico.




Desenhado pelo arquiteto Ramos Chaves em 1972, tinha como o objetivo unir o turismo e a natureza criando um espaço de excelência com o melhor dos dois mundos abatendo somente 3 árvores. Já nos anos 80 e sem a assinatura do "pai da criança" foram feitas alterações ao projeto que visavam exclusivamente a rentabilização do negócio (foram acrescentadas 16 vivendas, 1 aparthotel e 2 blocos de apartamentos).

Infelizmente pouco sobra além de paredes e telhados, o negócio deu para o torto e dos 45M de €, que alegadamente rendeu, só cerca de 16 entraram nos cofres da empresa responsável pela comercialização, terão sido perdidos em comissões de venda e negócios pouco claros em off-shores (clássico). São portas arrombadas, paredes esburacadas, vidros partidos, balcões arrancados, tudo vandalizado... A paisagem do Vale Navio não passa de montes de betão e mato que dão origem a um cenário que se quer escondido num allgarve cada vez menos lusitano embora o terreno continue a ser muito apetecível em termos imobiliários e tenha inclusivamente um projeto de reabilitação que já deveria ter começado (Ossónoba).

A única surpresa agradável para mim (já sei que a maior parte dos urbexers ditos puros não gostam) foi a qualidade de alguns dos graffitis que encontrei!!! Não são propriamente desenhos, são mais na onda de estilização do lettering no entanto gostei bastante.

Aaaaah, nota muito importante, ao que apurei foram cerca de 1600 os Portugueses enganados e muitos estrangeiros também. Foi criada uma Associação de Proprietários de Vale Navio, a APROVANA, com o fim de reduzir os prejuízos dos lesados nesta gigantesca burla mas, como isto é Portugal, nem eles foram ressarcidos dos seus investimentos nem nenhum dos gestores da sociedade que "vendeu" Vale Navio foi condenado (nunca se conseguiram provar os crimes económicos apesar de a PJ ter enviado para o Ministério Público um relatório com 143 páginas e mais de 1000 imagens). Os muitos gestores, claro está, foram homens com fortes ligações aos partidos que desde então por cá têm (des)governado... e esta hein?

P.S.: Quero agradecer à F. por ter tido paciência para me acompanhar na minha panca. Obrigado!















quarta-feira, 16 de abril de 2014

Destacamento da FAP no Trevim

No cume da Serra da Lousã, mais concretamente a 1200m de altitude no Trevim, está situado o Centro Emissor. Este importante complexo é composto por uma série de antenas de rádio e televisão que são responsáveis pela retransmissão do sinal destes meios para grande parte do país. Além desta função, durante os anos pós 25 de Abril e, talvez, até aos anos 90, a Serra da Lousã contou com um destacamento da Base Aérea de Monte Real responsável pela Estação Repetidora das Comunicações da Força Aérea Portuguesa. Por isso, ainda hoje, na chegada às antenas são visíveis vedação, guarita e ainda um pequeno Edifício militar mesmo junto à entrada. Um pouco mais abaixo, concretamente pouco antes do cruzamento com a localidade de Santo António da Neve, do lado direito da estrada encontra-se uma propriedade militar, com meia dúzia de edificações, devidamente identificada. Nesse local, um pequeno vale, creio que seria onde residiam os militares da F.A.P. destacados na Lousã. Pelo que me apercebi, os edifícios seriam um para escritórios, outro para dormir e ainda outro que seria uma pequena oficina. Estando ainda apoiados por um forno a lenha numa edificação própria, a casa de eletricidade e um pequeno riacho. Certamente que os invernos seriam penosos para os rapazes destacados no cimo da Serra e a escolha desse pequeno vale a 1000m de altitude tinha por objetivo proteger a rapaziada das intempéries. No período do calor, aquela área militar seria um pequeno paraíso serrano, cheio de sombras e de uma paz própria de uma zona tão remota como aquela.















Está recente o marcador topográfico, será que vão reabilitar o local?


terça-feira, 8 de abril de 2014

Hospital Comendador Monteiro Bastos

Desta feita rumei até à localidade do Caracol em Vila Nova do Ceira para visitar, junto ao Rio Ceira, o antigo Hospital Comendador Monteiro Bastos. O Comendador condecorado com a Ordem de Cristo pelo Rei D. Carlos, após regressar do Brasil no Séc XIX, adquiriu o edifício e doou-o à Câmara Municipal de Góis que mais tarde presidiu. 

"...Em tempos, acudia às necessidades dos mais pobres que a ele recorriam quando precisavam de cuidados médicos, ou de enfermagem, porque lá residia uma enfermeira, que se não o era por diploma superior, tinha a experiência que o trabalho lhe conferia.
O médico estava disponível duas vezes por semana, o que, para o tempo era um grande bem.
Mas, como tudo tem os seus ciclos, o velhinho tornou-se num moderno dispensário para internamento de tuberculosos e assim continuou o consultório médico por mais uns anos e quando a tuberculose deixou de necessitar do internamento fechou-se outro ciclo.
O consultório médico passou para outras instalações e o belo edifício foi então aproveitado (e bem) para um Centro de Férias e nunca até aí houve tanta vida à sua volta, eram as crianças que vinham usufruir das nossas belezas naturais, muitos postos de trabalho foram criados, embora temporários, eram muito bem vindos.
De há uns anos para cá deixou de funcionar como Centro de Férias e foi instalado numa mínima parte do rés do chão o Centro de Dia que também tem agora um novo espaço no Lar. Começou então a morte lenta para o imponente edifício que era bonito e bem enquadrado na paisagem.
Fecharam-se as portas (algumas) e a água que entra pelas janelas abertas deve estar a fazer estragos muito grandes. As varandas já deixam ver algumas infiltrações de água e muitos vidros partidos dão uma péssima visão do abandono a que está sujeito.
Uma árvore de grande porte já se criou num bonito recanto, que torna quase impossível a sua retirada de lá, e enquanto isso lá vai crescendo cada vez mais, deixando antever o mal que causa.
No meio de tal abandono o busto do Comendador que tinha sido colocado numa sala do edifício, fugiu, deixando o pedestal abandonado, talvez com o medo de estar sozinho no meio de tal desolação."
Maria da Graça in O Varzeense, de 15/11/2007