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segunda-feira, 23 de março de 2015

Estaleiros São Jacinto

ESJ em 23/05/1956
Os Estaleiros de São Jacinto (ESJ) foram fundados em 1940 por Carlos Roeder. Inicialmente e por contingências da 2ª Grande Guerra dedicavam-se ao fabrico de máquinas e construção metálica. Só em 1945, após o final do conflito, iniciam a sua actividade em construção naval. Chegaram a ser um dos mais importantes de Portugal a par de FozNave, LisNave e Estaleiros Navais de Viana do Castelo, está inserido num terreno com 70 mil metros quadrados. Chegou a empregar mais de 600 pessoas em meados dos anos 70. O fundador, Carlos Roeder, chegou mesmo a ser agraciado com a comenda de Mérito Industrial em 1960.
Foi aqui construído o primeiro arrastão Português (de arrasto pela popa), o "Atrevido"... Foi aqui que se procedeu ao primeiro "Jumboising" (serrar um barco ao meio para o aumentar e consequentemente também a sua capacidade de carga)... Foi aqui que durante décadas se foi renovando a frota pesqueira nacional... 
Durante quase 50 anos estes estaleiros foram o pilar de uma comunidade neste país de marinheiros que é o nosso! Consta que terá sido a concorrência vinda da ásia e a má gestão que terão dado origem ao seu encerramento em 1990. Hoje, 25 anos passados, tudo o que sobra são  escombros... 








 












Reportagem RTPsobre os ESJ :






terça-feira, 13 de maio de 2014

Vale Navio


Tempo de páscoa, altura de rumar até ao algarve para retemperar o espírito e ganhar ânimo até chegar mais um verão. Como sempre, e esperando mau tempo, fiz o levantamento dos spots que me poderiam interessar recorrendo ao Maps e a uns urbexers da região (aos quais aproveito para agradecer). Depois surgiram os problemas, 1º deixei a máquina em Coimbra e 2º esteve sempre um tempo bruuuutal! Ou seja, só explorei um sítio e foi este mesmo, o famoso Vale Navio. Localizado na Quinta da Balaia entre Albufeira e as famosas praias da zona é fácil de localizar, não só pela sua imensidão mas também pela placa que não engana. Aproveitei pra lá passar num final de tarde em que, na praia, o sol já me mordia a pele. Usei a minha habitual câmara de backup e até nem correu mal. De iPhone em punho e de calçãozinho de praia, vi o mais que pude no curto espaço de tempo que dispunha. Este aldeamento turístico do famoso conceito oitentão de Time-Sharing é ainda maior do que eu pensava, são 300 apartamentos e 95 moradias mais as áreas de lazer comuns (restaurantes, lago, piscinas, etc) distribuídos por 33 hectares com vista para o oceano. O projeto arquitetónico original era fantástico.




Desenhado pelo arquiteto Ramos Chaves em 1972, tinha como o objetivo unir o turismo e a natureza criando um espaço de excelência com o melhor dos dois mundos abatendo somente 3 árvores. Já nos anos 80 e sem a assinatura do "pai da criança" foram feitas alterações ao projeto que visavam exclusivamente a rentabilização do negócio (foram acrescentadas 16 vivendas, 1 aparthotel e 2 blocos de apartamentos).

Infelizmente pouco sobra além de paredes e telhados, o negócio deu para o torto e dos 45M de €, que alegadamente rendeu, só cerca de 16 entraram nos cofres da empresa responsável pela comercialização, terão sido perdidos em comissões de venda e negócios pouco claros em off-shores (clássico). São portas arrombadas, paredes esburacadas, vidros partidos, balcões arrancados, tudo vandalizado... A paisagem do Vale Navio não passa de montes de betão e mato que dão origem a um cenário que se quer escondido num allgarve cada vez menos lusitano embora o terreno continue a ser muito apetecível em termos imobiliários e tenha inclusivamente um projeto de reabilitação que já deveria ter começado (Ossónoba).

A única surpresa agradável para mim (já sei que a maior parte dos urbexers ditos puros não gostam) foi a qualidade de alguns dos graffitis que encontrei!!! Não são propriamente desenhos, são mais na onda de estilização do lettering no entanto gostei bastante.

Aaaaah, nota muito importante, ao que apurei foram cerca de 1600 os Portugueses enganados e muitos estrangeiros também. Foi criada uma Associação de Proprietários de Vale Navio, a APROVANA, com o fim de reduzir os prejuízos dos lesados nesta gigantesca burla mas, como isto é Portugal, nem eles foram ressarcidos dos seus investimentos nem nenhum dos gestores da sociedade que "vendeu" Vale Navio foi condenado (nunca se conseguiram provar os crimes económicos apesar de a PJ ter enviado para o Ministério Público um relatório com 143 páginas e mais de 1000 imagens). Os muitos gestores, claro está, foram homens com fortes ligações aos partidos que desde então por cá têm (des)governado... e esta hein?

P.S.: Quero agradecer à F. por ter tido paciência para me acompanhar na minha panca. Obrigado!