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terça-feira, 8 de abril de 2014

Hospital Comendador Monteiro Bastos

Desta feita rumei até à localidade do Caracol em Vila Nova do Ceira para visitar, junto ao Rio Ceira, o antigo Hospital Comendador Monteiro Bastos. O Comendador condecorado com a Ordem de Cristo pelo Rei D. Carlos, após regressar do Brasil no Séc XIX, adquiriu o edifício e doou-o à Câmara Municipal de Góis que mais tarde presidiu. 

"...Em tempos, acudia às necessidades dos mais pobres que a ele recorriam quando precisavam de cuidados médicos, ou de enfermagem, porque lá residia uma enfermeira, que se não o era por diploma superior, tinha a experiência que o trabalho lhe conferia.
O médico estava disponível duas vezes por semana, o que, para o tempo era um grande bem.
Mas, como tudo tem os seus ciclos, o velhinho tornou-se num moderno dispensário para internamento de tuberculosos e assim continuou o consultório médico por mais uns anos e quando a tuberculose deixou de necessitar do internamento fechou-se outro ciclo.
O consultório médico passou para outras instalações e o belo edifício foi então aproveitado (e bem) para um Centro de Férias e nunca até aí houve tanta vida à sua volta, eram as crianças que vinham usufruir das nossas belezas naturais, muitos postos de trabalho foram criados, embora temporários, eram muito bem vindos.
De há uns anos para cá deixou de funcionar como Centro de Férias e foi instalado numa mínima parte do rés do chão o Centro de Dia que também tem agora um novo espaço no Lar. Começou então a morte lenta para o imponente edifício que era bonito e bem enquadrado na paisagem.
Fecharam-se as portas (algumas) e a água que entra pelas janelas abertas deve estar a fazer estragos muito grandes. As varandas já deixam ver algumas infiltrações de água e muitos vidros partidos dão uma péssima visão do abandono a que está sujeito.
Uma árvore de grande porte já se criou num bonito recanto, que torna quase impossível a sua retirada de lá, e enquanto isso lá vai crescendo cada vez mais, deixando antever o mal que causa.
No meio de tal abandono o busto do Comendador que tinha sido colocado numa sala do edifício, fugiu, deixando o pedestal abandonado, talvez com o medo de estar sozinho no meio de tal desolação."
Maria da Graça in O Varzeense, de 15/11/2007





















quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Fábrica de Malhas Redinizes

Desta vez fui visitar uma das últimas fábricas do tecido industrial Conimbricence a fechar. Esta fábrica nasceu em 1955 e encerrou 50 anos depois, no ano de 2005. Coimbra foi, em tempos, um grande centro industrial da produção de malhas e tecidos, do qual até 2005 sobrou a Redinizes. Aquando do seu encerramento empregava 35 colaboradores, estávamos no mês de dezembro e a freguesia de S. Paulo de Frades via uma tragédia social acontecer a menos de dez dias do dia de Natal. Segundo relatos da altura, no final do turno desse malfadado dia ficou por pagar o subsídio de férias e o de natal por alegada rutura "económica e financeira". O Sindicato dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios e Vestuário do Centro por seu lado, alegou que teria sido a "especulação imobiliária" a ditar o encerramento desta fábrica da Rocha Nova uma vez que era possuidora de um "grande património". Fui surpreendido pela morfologia desta fábrica, a mistura do clássico industrial do estado novo com a estrutura pentagonal que funcionava como um showroom foi uma novidade para mim. Além disso, não fazia sequer ideia da existência desta fábrica! Não fosse um bom amigo, que sabe da minha panca por abandonos, e provavelmente nunca a teria "explorado". Por esse facto lhe agradeço. Espero que gostem da reportagem...