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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A Eira de Leocádia

Mais uma visita a um local bem pertinho mas com muito pouco para ver, o seu estado ruinoso e a força da natureza limitam imenso o reconhecimento de elementos dignos de registo. Localizada no baixo Mondego, a Quinta de Santa Leocádia é uma propriedade do séc. XVI com uma clara vocação agrícola. A sua enorme eira é ainda bem visível e será, provavelmente, o elemento desta quinta que mais me fascinou. Dali, os campos do mondego "avistam-se até se perderem de vista"...


Foto originalmente publicada, em 2006, por Prof. Godin em Skyscrapercity
Foto de Outubro de 2015.

O mais curioso nesta Quinta é a Capela de Nossa Senhora da Graça que durante tantos anos foi venerada pelo povo, tendo chegado a paróquia inclusivamente, por estar envolta numa lenda...
O outrora local de culto é uma "...construção quinhentista com cabeceira em corpo destacado com abóbada de cúpula circular. Teria as imagens de Nossa Senhora da Graça e Santa Leocádia num retábulo de pedra dividido em três nichos, outrora policromado. Tinha ainda uma pequena sacristia."

Segundo a lenda, "...a imagem de Santa Leocádia apareceu num monte de pedras soltas. Foi levada para a ermida, mas para espanto de todos, ela fugiu do altar. Foi encontrada no monte com a imagem de N. S.ª da Graça. Foram então levadas para a ermida de onde não mais saíram. Era local de eleição para enterramentos dos moradores do Marujal. O primeiro enterramento diz respeito a Manuel Nunes, a 1 de Julho de 1620." 

Deixo-vos uma publicação de 1721 que tenta retratar o "milagre" sob o título "Santuário Mariano e História das imagens milagrosas de Nossa Senhora".



...

Pouco ou nada sobra para contar a história da Quinta, é perceptível que o edifício terá sofrido algumas obras mas é impossível perceber o objetivo das mesmas. Toda a casa terá ruído sobre si própria e hoje é uma sombra do que certamente terá sido um dia, ficam as fotos possíveis...







De acordo com populares, já no século XX a capela terá sofrido um roubo que a despojou de tudo quanto era de valor e desde então, tal como a restante quinta, tem vindo a sofrer do que trata este endereço web, o abandono. Este roubo é algo que me intriga profundamente, senão vejamos, se a imagem da Santa fez questão de reaparecer no cimo do monte noutras ocasiões porque é que não o fez aquando do seu roubo no século XX??? Milagre? Mistério Tanga?







quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Mota & Companhia SA

Desta vez venho "foto-reportar" uma antiga filial da extinta Mota & Companhia S.A.(empreiteiros de obras públicas e construção civil), hoje Mota-Engil SGPS.
É um complexo de dimensão assinalável que engloba Estaleiro, Edifício de Escritórios, Vila e Igreja.

A "Vila Mota" é composta por 4 moradias (Residência dos Engenheiros), 6 prédios tipo camarata (2 apartamentos por andar, cada um com sala, wc e cozinha comuns sendo o resto quartos), 4 prédios residenciais(apartamentos normais) um Centro Social e um Campo de Futebol.

O Estaleiro divide-se em 2 armazéns(não visitáveis, eu entrei mas fui logo abordado por um homem que chegou de carro e após a explicação das minhas intenções imediatamente me comunicou que se estava à procura de locais abandonados então estava enganado porque aquilo não o estava. Eu achei estranho mas pedi desculpa e saí).

O Edifício de Escritórios está todo partido e o pouco que se aproveita, além das vistas para os campos do Mondego, só alguns corredores sombrios. Tudo o resto foi saqueado, sobrando apenas alguns placards na parede, uma fotocopiadora "arrumada" em local estratégico e alguns projetos e fotos de obras com data de 2003. Contíguo ao edifício está a Igreja, bastante bem conservada e com aspeto de ser usada ao fim de semana.

Ora bem, segundo informações que recolhi junto dos moradores da Vila e ao que indica a tipologia arquitetónica, todos estas infraestruturas terão sido edificadas no início dos anos 80 a mando do fundador da construtora Manuel A. Mota. Foi com muita mágoa que, após a desconfiança habitual, dois moradores (um deles de cajado na mão) me contaram que tudo caiu por terra após a morte do "benfeitor" Manuel A. Mota. Pois é, tal como tantos outros projetos por este país fora, o criador morre e os rebentos não continuam a "obra", foi o caso deste Lugar Esquecido.
Foi em 2004 que a Direção desta Organização resolveu deslocalizar o estaleiro para a área metropolitana de Lisboa, mais concretamente para Porto Salvo. Desde então tudo tem sido votado ao abandono e pilhado. Segundo me informaram, não raras vezes, foram encontradas pessoas a levar material. Apesar de, por duas vezes, terem sido trancadas todas as portas por funcionários da Mota-Engil, elas voltam a ser arrombadas. Hoje nada de valor sobra, somente as memórias de 6 famílias que ainda vão resistindo por aquelas bandas. É uma pena ver um local como aqueles tristemente só, principalmente o centro social com nome do criador da Vila inaugurado em 1983 pela sua esposa.

Não nos esqueçamos que tudo isto foi construido pela Construtora e para a Construtora. Edifícios construidos para durar uma vida com um baixo custo de manutenção, bem projetados e executados. Enfim, mais do mesmo neste nosso Portugal moribundo...