segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Mosteiro de Verride

Tive a oportunidade de visitar o Convento de Almiara (outro nome pelo qual é conhecido) duas vezes, em nenhuma das duas saí satisfeito. Ora porque as centenas de morcegos não me permitiram aceder ao primeiro piso, na primeira visita. Ora porque, estupidamente ou por força do hábito urbexer me esqueci de levar o tripé. Assim e por me faltar fotografar a igreja e a "loja" ou cavalariças, fica prometida uma terceira visita ao local com equipamento a rigor. Eu é que já estava farto de esperar por lá ir novamente para colocar as fotos, sendo assim resolvi postar e, mais tarde retificar o tópico acrescentando as fotos em falta.

O imóvel em questão situa-se a meio caminho entre Coimbra e a Figueira da Foz, mais concretamente em Verride em plenos Campos do Mondego. Foi pertença dos Frades do Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra e funcionava como uma espécie de colónia de férias para Frades. Foi muito importante para a região na medida em que, foram estes frades os responsáveis pelo cultivo do arroz na zona atividade essa que nos dias de hoje ainda subsiste. O edifício esteve na posse dos Frades durante cerca de 800 anos, pelo meio pertenceu aos Monges da Ordem de Santana que o voltaram a vender aos Frades. O Mosteiro foi sofrendo, ao longo dos anos, várias obras que modificaram substancialmente o seu aspeto, destaca-se a construção do torreão e a remodelação da capela nos séculos XVII e XVIII respetivamente. 

Infelizmente está completamente ao abandono e tomado pelas silvas. Da riqueza que se adivinha num edifício com mais de 800 anos, só sobra um fresco datado de 1755 pintado na sala cimeira do torreão. A igreja foi completamente despojada e só sobram estruturas em madeira e os azulejos que decoravam todo o edifício também foram roubados e não há nem sinal de para onde poderão ter sido levados. Achei particularmente engraçada uma estrutura de planta circular independente do edifício que suponho tenha sido um pombal (última imagem) onde involuntariamente encontrei até uma cache de geocaching.






















quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Fábrica de Malhas Redinizes

Desta vez fui visitar uma das últimas fábricas do tecido industrial Conimbricence a fechar. Esta fábrica nasceu em 1955 e encerrou 50 anos depois, no ano de 2005. Coimbra foi, em tempos, um grande centro industrial da produção de malhas e tecidos, do qual até 2005 sobrou a Redinizes. Aquando do seu encerramento empregava 35 colaboradores, estávamos no mês de dezembro e a freguesia de S. Paulo de Frades via uma tragédia social acontecer a menos de dez dias do dia de Natal. Segundo relatos da altura, no final do turno desse malfadado dia ficou por pagar o subsídio de férias e o de natal por alegada rutura "económica e financeira". O Sindicato dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios e Vestuário do Centro por seu lado, alegou que teria sido a "especulação imobiliária" a ditar o encerramento desta fábrica da Rocha Nova uma vez que era possuidora de um "grande património". Fui surpreendido pela morfologia desta fábrica, a mistura do clássico industrial do estado novo com a estrutura pentagonal que funcionava como um showroom foi uma novidade para mim. Além disso, não fazia sequer ideia da existência desta fábrica! Não fosse um bom amigo, que sabe da minha panca por abandonos, e provavelmente nunca a teria "explorado". Por esse facto lhe agradeço. Espero que gostem da reportagem...






















sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Pavilhão Cirurgico

O Pavilhão de Cirurgia foi construído em 1945 para substituir as funções cirúrgicas do Grande Sanatório, onde se realizavam até então as cirurgias da Estância Sanatorial do Caramulo. 
As intervenções cirúrgicas eram comuns no tratamento da "peste cinzenta", o que acabou por conduzir à existência de uma grande actividade cirúrgica na vila, protagonizadas, com maior ou menor eficácia, pelos vários médicos que constituíram o corpo clínico da Estância Sanatorial. Estas cirurgias (colapsoterapia e tomografia) eram muito temidas pelos doentes, devido à elevada mortalidade das mesmas e pelas deformações torácicas que poderiam provocar, razão pela qual a notícia da operação era, muitas vezes, mal recebida pelos doentes, provocando episódios de alguma violência. As elevadas taxas de mortalidade levaram a visitas de especialistas internacionais na área da pneumologia e tisiologia, bem como algumas substituições da equipa cirúrgica.
À época, este edificio classificado como pavilhão de primeira classe, concentrava toda a tecnologia de ponta  existente para o tratamento da tubercolose. Teve também uma das primeiras lavandarias "automatizadas" que permitia uma melhor desinfecção das roupas de cama.














Fontes: http://lugaresesquecidos.com, http://geometriasvariaveis.blogspot.pt/ e "O SANATÓRIO DA COVILHÃ - Arquitectura, Turismo e Saúde" de Ana Helena Monteiro (dissertação de mestrado em Arquitetura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra).